Em mercado de elite de SP, clientela estoca mantimentos para encarar vírus

Governanta conta que é o terceiro supermercado em que ela entra naquela manhã: "O senhor pra quem eu trabalho está desesperado" Imagem: Paulo Sampaio/UOL

Obcecada com a ideia de se proteger do temível coronavírus, a próspera clientela da Casa Santa Luzia, supermercado frequentado há 94 anos pela elite de São Paulo, anda preterindo trivialidades como a terrine de canard au foie gras e o creme de marron confitado ao vinho de Jerez. De três dias pra cá, passou a dedicar-se freneticamente ao estoque de álcool gel, papel higiênico e carne. Em um surto muito próprio, cujos sintomas nada têm a ver com os da gripe, a nata da sociedade paulistana se vê enredada em um angustiante engarrafamento de carrinhos pilotados por madames em desatino, motoristas e empregadas domésticas. Desde quarta-feira, o Santa Luzia registra diariamente um aumento de 60% na média de 5.000 clientes que entram ali — algo inédito nesta época do ano. “Só no Natal a gente costuma ter esse fluxo”, diz a diretora do supermercado, Ana Maria Lopes. Ela explica que a diferença agora é que as pessoas estão se dirigindo mais às gôndolas de material de limpeza. “São produtos comprados em quantidade, para estocar”, afirma ela, que há cerca de 30 anos toma conta pessoalmente do movimento da loja.

Filé e Neve

O álcool gel, vendido ali por R$ 21,30 (500 ml) e R$ 9,80 (140 ml), é o item mais procurado. Na sexta-feira, estava esgotado. A reposição nas prateleiras de papel higiênico, comprado em proporções amazônicas (R$ 19,00 o pacote de Neve, com 12), quase não dá conta da demanda. Na seção das carnes, o que mais sai é o filé mignon. Dependendo do corte, o preço do quilo pode variar de R$ 114 (peça inteira) a R$ 126,00.

Aos VIP que desejam compensar o martírio do exílio doméstico com um afago nas papilas gustativas, indica-se a elaborada carne extraída do boi japonês wagyu. R$ 1.020, o quilo.

Três vezes mais

Nove dos 12 corredores que separam as gôndolas do Santa Luzia são atravessados por filas que saem dos caixas e se estendem até a parte de trás do mercado, onde estão as carnes, pães, frutas e legumes.

Fonte: noticias.uol.com.br