Polícia vai ouvir envolvidos no caso do garoto negro que virou ‘suspeito’ em grupo de moradores após tirar fotos

A Polícia Civil de Jundiaí (SP) vai ouvir, na próxima terça-feira (15), os envolvidos no caso do jovem negro que é fotógrafo amador e se tornou um “suspeito” entre os moradores do bairro Eloy Chaves, em Jundiaí (SP). O caso foi registrado como injúria e preconceito racial.

O jovem relatou ter sofrido preconceito por parte de moradores e de um vereador enquanto fazia fotografias pelas ruas do bairro. O caso foi revelado pelo jornal Folha de S.Paulo, na quinta-feira (10).

A Delegacia Seccional de Jundiaí irá abrir uma investigação para apurar se houve crime e o motivo de não ter sido foi feito o registro nas delegacias.

Durante a semana, a família do rapaz já havia tentado registrar o boletim de ocorrência em duas delegacias, mas não conseguiu.

Fotos compartilhadas

Segundo Gabriel Souza, funcionário de uma borracharia, o mal-entendido aconteceu quando, durante o horário de almoço, saiu para fotografar alguns pontos do bairro com uma câmera.

“É um equipamento novo que eu havia ganhado há pouco tempo, então decidi testar durante o meu horário de almoço. Até então, não estava sabendo de nenhuma repercussão”, conta.

Depois desse dia, fotos e áudios foram divulgados em grupos de moradores no WhatsApp e no Facebook alertando sobre a presença do rapaz e aconselhando que, se o vissem, acionassem a Guarda Civil Municipal.

Um áudio atribuído ao vereador da Câmara de Jundiaí Antônio Carlos Albino (PSB), que também é integrante do grupo de moradores, reforçava o pedido de alerta:

“Boa tarde! Se vocês virem esse indivíduo para a rua, por favor, já liguem 153, porque a viatura da Guarda está tentando achar ele no bairro. É um suspeito de estar filmando e tirando fotos das casas.”

Gabriel conta que só entendeu o que estava acontecendo quando um cliente e morador de um condomínio próximo mostrou a ele as fotos e áudios que estavam circulando na internet.

Segundo o fotógrafo, o vereador compareceu até a borracharia para esclarecer a situação e publicou uma mensagem no Facebook dizendo que havia sido um mal-entendido.

“Foi quando eu percebi a dimensão do que estava ocorrendo. Ele veio até a borracharia e logo percebeu que toda a situação tinha sido um engano, quando todos os áudios, imagens e até a Guarda Civil já estava atrás de mim. Ele ligou para o administrador do grupo e pediu que apagassem as fotos, pediu desculpas e ficou por isso.”

O vereador Antônio Carlos Albino afirmou que não foi uma atitude de preconceito. “Se você vir o áudio, ninguém fala de raça, cor, sexo, nada. Poderia ser qualquer um. Qualquer pessoa que estivesse ali é uma pessoa suspeita. Ela não mora na rua, não mora no bairro. O que poderíamos fazer? Chamar Guarda Municipal ou a Polícia Militar”, afirma.

Fonte: G1